A arte da trincheira

Modelo vestindo um trench coat da Burberry

Em 1967, em pleno “Verão do Amor”, os hippies se embrenharam na “espiral do silêncio”. Pois legitimaram o sistema capitalista que combatiam ao se valerem da linguagem pela qual o mesmo se caracterizava para “sublinhar” a sua causa. E o fizeram ao adotar o slogan: “Faça amor, não faça guerra”. Também atentando contra a ideologia do “socialismo sexualizado” que praticavam ao vetar a liberdade de opinião do guerreiro. Censurando a sua opção pelo combate. Que, em seu íntimo, tem a guerra como uma extensão do amor.

Todavia, toda guerra tem um fim, aos olhos do hipócrita, pouco nobre e, à vista da verdade, muito prático. Dado que ela limpa da humanidade o fraco e prolonga a existência da mesma ao glorificar o forte.

Enaltecendo também a cultura do sucesso.

Como no caso do calor que sempre conforta o soldado em sua trincheira. Numa sensação que remete ao abrigo do útero materno.

O que, dentro da tendência “retrô” que marca o comportamento contemporâneo, é celebrado pela moda outono-inverno de 2011. E simbolizado pelo “Trench Coat” – ou o “Capote para Trincheira”.

Capote que surgiu de uma necessidade do Governo Britânico. Que, em 1914, escolheu a grife Burberry para vestir seus soldados durante o conflito que veio a ser discriminado como “Primeira Guerra Mundial”.

Ademais, em 1856, a Burberry fora fundada por Thomas Burberry. E, para confeccionar o capote, se valeu da visão de seu criador. Que, em 1879, criara a gabardine – uma variação da sarja. A qual, no correr na guerra, ganhou prestígio ao cumprir o seu propósito.

Doravante, a fim de se firmar dentro da proposta saudosista atual, o Shopping Iguatemi de São Paulo veiculou um anúncio com o tal traje na mídia paulistana. Uma propaganda assinada pela agência de publicidade Borghierh/Lowe. Mas que apenas é uma versão “quase nacional” da campanha “Art of the Trench”. Uma campanha da Burberry. E que consiste em mostrar pessoas trajando o capote em diversas localidades do planeta.

Sem mais, essa mídia impressa utilizou o olhar do fotógrafo hispano-brasileiro J. R. Duran. Que não se notabilizou por transformar suas fotos em referências artísticas. Mas por desnudar, nas páginas da Playboy, as vedetes que marcaram suas épocas; como Suzana Alves, no momento em que era a “Tiazinha”, ou Adriana Galisteu, quando era apenas a viúva de Ayrton Senna.

Como protagonista da foto se empregou a modelo curitibana Isabeli Fontana. Que, desde 2008, é a garota-propaganda do Shopping Iguatemi.

Então, em um estúdio, se criou a cena. Ao se acrescentar o prefixo “inter” ao radical “nacional”. Quando se tentou tapear a vista ao, ao fundo, colocar uma colagem com a imagem de edifícios estrangeiros. E, em primeiro plano, sobre uma laje, postar Isabeli apoiada na estrutura enferrujada de um outdoor. Com roupas e acessórios da grife de Londres. Sem os quais seria um convite a entrar na sua trincheira. E “recheando” um capote com cinta de couro. A atestar que todo estilo flui de um charme atemporal.

Foto: sweethardt no Flickr

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